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Hepatites Virais

terça-feira, 7 de abril de 2009




C
onsideradas um grave problema de saúde pública, não só no Brasil como em todo o mundo, as hepatites virais são provocadas por diferentes agentes etiológicos porém, todos com tropismo pelo fígado. São elas as hepatites A, B, C, D e E que, apesar de apresentarem características clínicas, laboratoriais e epidemiológicas semelhantes, têm também, cada uma, suas particularidades.
A importância das hepatites se fundamenta no grande número de indivíduos atingidos e na possibilidade de complicações agudas e crônicas.

Hepatite A - a principal via de contágio é a fecal-oral, entre indivíduos ou pela água e alimentos contaminados, diretamente ligada a saneamento básico e condições de higiene precárias. Mais frequente em crianças, muitas vezes assintomática, auto limitada e de evolução benigna. Em pessoas idosas a doença é sintomática e de evolução mais lenta.

Hepatite B - a transmissão do vírus se faz pelo sangue e hemoderivados, compartilhamento de agulhas e seringas, tatuagens, etc, e, sobretudo, por via sexual, sendo mesmo considerada uma doença de transmissão sexual. A transmissão de mãe para filho, durante a gestação ou amamentação, é também uma forma frequente da disseminação do vírus B. Na maioria das vezes a doença é assintomática e 30% dos casos apresentam a forma sintomática ou ictérica. 5 a 10% dos adultos infectados evoluem para a forma crônica. Entre as crianças, 70 a 90% das infecções cronificam. A hepatite B crônica pode evoluir para cirrose e até câncer hepático.

Hepatite C - anteriormente conhecida como hepatite não-A e não-B, o vírus da hepatite C foi identificado em 1989 por Choo e colaboradores, nos Estados Unidos. São consideradas populações de risco para hepatite C indivíduos que receberam transfusão de sangue ou hemoderivados antes de 1993, usuários de drogas injetáveis, inaláveis ou pipadas que compartilham os equipamentos, pessoas com tatuagens, piercings ou outras formas de exposição (podólogos, manicures, etc). A transmissão sexual é rara mas pode ser facilitada pela variação de parceiros, sem uso de preservativos e, pela coexistência de alguma outra doença de transmissão sexual, sobretudo o HIV. A transmissão de mãe para filho é rara. 70 a 85% dos casos podem cronificar e 1/3 deles evoluir para formas graves, caso não haja tratamento. A infecção pelo vírus da hepatite C é hoje considerada a maior responsável pelas cirroses e transplantes hepáticos no Ocidente.

Hepatite D - pode ser assintomática, sintomática ou em forma grave. O vírus da hepatite D depende da presença do vírus B para sua replicação, por isso tem mecanismo de transmissão semelhante ao vírus B.

Hepatite E - mais comum em países da Ásia, África e na Índia, é uma doença de transmissão fecal-oral, auto limitada porém pode apresentar formas clínicas graves.

Como se vê, as hepatites virais são, muitas vezes, assintomáticas e podem evoluir de forma lenta, chegando até mesmo ao câncer hepático. Por outro lado, o diagnóstico é preciso, o tratamento está bem estabelecido e o Sistema Único de Saúde oferece testagens sorológicas, aconselhamento e vacinação como medidas preventivas.
Procure seu médico, faça seus exames, se informe sobre as medidas preventivas e diminua os riscos para as hepatites.

Fonte: Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica - Hepatites virais: o Brasil está atento, 3a edição, Brasília/DF 2008

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Prevenção do Câncer do Colo Uterino

terça-feira, 20 de janeiro de 2009


Você sabia que o HPV é uma das causas mais frequente de doença sexualmente transmissível em todo o mundo?
O câncer do colo uterino, doença que atinge a mulher durante a idade reprodutiva, é, em 95% das vezes causado pelo Papilomavírus Humano dos tipos oncogênicos ou HPV 16 e 18, principalmente. No Brasil, é considerado a terceira neoplasia maligna mais frequente entre mulheres. Por isso, prevenir o câncer do colo uterino significa prevenir a infecção pelo HPV.
Estima-se que em torno de 1 milhão de novos casos de infecção por HPV sejam diagnosticados por ano e na sua maioria em pessoas jovens, com idade entre 15 e 30 anos. O sistema imunológico é capaz de combater a ação do vírus porém há situações que aumentam o risco, seja em contrair as verrugas genitais, seja em desenvolver câncer de colo. Entre eles estão: a variação de parceiros, o início precoce da vida sexual, o tabagismo e a presença de outras doenças sexualmente transmissíveis como Clamídia, Gonorréia, Sífilis e Aids.
Então, como prevenir o câncer de colo?
Começamos pela educação: toda mulher deve ser informada de que o exame de Papanicolau procura por alterações causadas pelo HPV nas células do colo uterino e que este exame tem que ser realizado periodicamente; deve saber também que o vírus pode ter um período longo de incubação e que sua detecção não significa necessariamente infidelidade por parte do seu parceiro sexual; todas as pessoas sexualmente ativas devem ser incentivadas a praticar sexo seguro, o que significa dizer relações sexuais onde não há trocas de secreções entre os parceiros, seja pelo uso de preservativos, seja por relações sexuais sem penetração.
Passamos agora à vacinação. Mulheres que recebem as informações acima são mais propensas a procurar vacinação para suas filhas.
A vacina profilática contra o HPV visa imunizar adolescentes e mulheres jovens que ainda não tenham tido contato com o vírus nos seus subtipos 6, 11, 16 e 18, prevenindo, assim, as lesões pré-malignas cervicais, o adenocarcinoma in situ, as verrugas genitais e as neoplasias intra-epiteliais de vulva e vagina. Pode ser aplicada a partir dos 9 anos de idade, seguindo o esquema de 3 doses intra-musculares, sendo a segunda dose 2 meses após a primeira e a terceira dose 6 meses após a primeira. Quanto ao tempo de duração do efeito da vacina, estudos mostram que a proteção dura além de 5 anos. Importante lembrar que a vacina não é terapêutica, não cura. A vacina previne as lesões HPV induzidas e não torna dispensável o uso de preservativos, já que existem outras doenças de transmissão sexual.
Efeitos colaterais são de leve intensidade e passageiros como dor local, eritema e prurido.
São, portanto, estas as formas das quais dispomos para reduzir os números e as estatísticas alarmantes desta doença que atinge mulheres ainda jovens. Cabe a cada uma de nós, mulheres, mães, irmãs ou amigas, fazer a nossa parte.

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O que é Candidíase ?

terça-feira, 16 de dezembro de 2008


Resolvi escrever sobre candidíase não somente pela frequência com que ela acomete pessoas no verão mas, também, por ter visto nos últimos dias circulando na Internet uma notícia que afirma que a causa do câncer são os fungos, além de indicar um site cujo autor afirma ser o detentor deste "precioso diagnóstico" e seu "infalível tratamento".
Publicações como esta a que me refiro são no mínimo irresponsáveis e levianas, capazes de causar prejuízos incalculáveis a quem, inadvertidamente, lhes dá crédito.


Os fungos do gênero Candida, sobretudo a Candida albicans, são responsáveis por mais de 90% dos quadros de candidíase. Se desenvolvem em meio ácido (pH<4,0) class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7">fatores predisponentes situações como gestação, uso de anticoncepcionais orais, diabete melito descompensado, uso de substâncias ou medicamentos imunossupressores como os corticóides, imunodeficiência, hábitos de higiene e até mesmo roupas inadequadas que fazem diminuir a ventilação e aumentar a umidade e calor local.
A candidíase tem como sintoma principal o prurido genital. Nas mulheres é frequente o aparecimento de corrimento branco, com aspecto de leite talhado, dor a ardor nas relações sexuais, edema e fissuras na pele.
O diagnóstico é dado pelo exame clínico, exame microscópico a fresco para detecção de hifas ou esporos ou pelo método de Gram.
O tratamento é feito com os derivados imidazólicos, em comprimidos e cremes. Substâncias capazes de neutralizar a acidez do meio agem como adjuvantes, como os bicarbonatos e os boratos.

Como se vê, apesar de causar extremo desconforto a quem adquire a infecção, os fungos estão bem longe de causar o câncer que é uma doença do DNA da célula, ou seja, o câncer é consequência de mutação genética com multiplicação de células com gens alterados. Essa mutação pode ser induzida por fatores externos como exposição a radiações, agentes químicos, tabagismo, etc, ou fatores hereditários. Células geneticamente alteradas são produzidas diariamente, porém nosso sistema imunológico é capaz de eliminá-las, protegendo-nos. Quando o câncer acontece é porque este equilíbrio foi rompido e as células se multiplicam desordenadamente. Definitivamente, os fungos nada tem a ver com tal situação.


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Papilomavírus Humano - parte II (lesões de alto grau)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008


Abordaremos aqui as lesões de alto grau induzidas pelo HPV 16 e 18, principais representantes do grupo dos HPV oncogênicos, ou seja, aqueles capazes de provocar o câncer de colo uterino. É esta, sem dúvida, a principal manifestação da infecção por HPV no trato genital feminino, onde as alterações podem atingir as 3 camadas do epitélio, superficial, intermediária e basal. O tratamento será estabelecido conforme a extensão da lesão e adequado a cada paciente, podendo variar desde a aplicação do Ácido Tricloroacético a 80% até a excisão da lesão pela Cirurgia de Alta Frequência. Uma vez ultrapassada a membrana basal fica caracterizado o câncer invasivo e passa a ser aplicado outro protocolo de diagnóstico, estadiamento e tratamento.
Apesar de já ter sido encontrada a presença de DNA-HPV em até 99,7% dos tumores cervicais, apenas 1% das mulheres infectadas por um dos tipos oncogênicos do HPV apresenta risco de desenvolver o câncer cervical. A incidência dessa doença está na dependência de fatores individuais relacionados a variação de parceiros, presença de outras DST, uso de preservativos, realização periódica de exame preventivo contra o câncer ginecológico (Papanicolau), condição imunológica, alimentação rica em vitamina C, betacaroteno e ácido fólico, entre outros.
O exame de Papanicolau deve ser realizado anualmente por todas as mulheres sexualmente ativas e tem como objetivo detectar condições facilitadoras da ação viral, como as ectopias cervicais ou mesmo as lesões subclínicas. Estudos estimam que aproximadamente 75% da população sexualmente ativa entra em contato com com um ou mais tipos de HPV durante sua vida e que destes, 1 a 2% apresentam manifestação clínica, 4% subclínica, 10% latente e em torno de 60% eliminam a infecção pelo sistema imune. O teste de Papanicolau é uma estratégia de prevenção consagrada e quando realizado regularmente e por profissionais qualificados é capaz de reduzir em até 80% a incidência do câncer de colo uterino.

Vacina contra HPV
Ela tem a função de ajudar o organismo a reconhecer o HPV, através do seu sistema imune, antes de estabelecida a infecção, ou seja, é uma vacina profilática. Por isso é recomendada para meninas e mulheres jovens ( 9 a 26 anos) e deve ser administrada em 3 doses, via intramuscular. Além disso é formada por um capsídio vazio, o que significa dizer sem material genético capaz de provocar infecção ou oncogênese.
A ANVISA ( Agência Nacional de Vigilância Sanitária) já tem registrada a vacina tetravalente para os HPV 6, 11, 16 e 18, porém a rede pública de saúde ainda não dispõe da vacina para a população. Ela pode ser encontrada em clínicas particulares por um preço nem sempre acessível para a maioria das pessoas.

Não podemos esquecer que os exames periódicos, o uso de preservativos, a pesquisa de outras DST e a avaliação do parceiro sexual são recursos essenciais e importantes na luta contra esta doença que representa a neoplasia maligna mais frequente em nosso país, correspondendo a 23% dos demais tumores.

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Câncer de mama tem cura

quarta-feira, 15 de outubro de 2008


O câncer ou neoplasia é basicamente um distúrbio da multiplicação celular, devido a alterações no seu DNA. Pode ser invasivo (metastático) quando as células cancerosas alcançam a corrente sanguínea e vão se implantar em outros órgãos além daquele de origem.
A formação do câncer de mama obedece a um processo que ocorre em 3 etapas: iniciação, promoção e progressão.
A iniciação é a lesão do DNA, que, apesar de poder ser herdada ou adquirida, em apenas 5 a 10% dos casos decorrem de herança genética familiar. A promoção é a multiplicação dessas células com DNA alterado e a progressão é quando as células cancerosas invadem a membrana basal, alcançando os vasos capilares e linfáticos, podendo atingir, assim, outros órgãos como pulmões, ossos e fígado. Ao contrário do que se pensa, não apenas as mulheres podem ter câncer de mama. Estima-se que para cada 200 casos em mulheres existe um em homem.
A eficácia do tratamento está fortemente ligada à detecção precoce do câncer.
As estratégias para prevenção do câncer de mama são de 2 tipos: prevenção primária que visa evitar a sua formação, e a prevenção secundária que tem como objetivo a detecção precoce.
Faça sua parte, previna-se !! A prevenção primária depende basicamente das suas atitudes. Acostume-se a fazer o auto-exame uma vez por mês, logo após o período menstrual. Se você não tem útero ou já está na menopausa estabeleça uma data mensal para seu auto-exame. Assim você aprende a conhecer suas mamas e as alterações que elas apresentam durante seus ciclos, que, na maioria das vezes são fisiológicas, ou seja, são normais.
Adquira hábitos saudáveis como alimentação pobre em gorduras, evite cigarros e bebidas alcoólicas em excesso, pratique exercícios regularmente.
A partir dos 40 anos, uma vez ao ano faça uma consulta ao seu Mastologista e realize mamografia e ultrassonografia mamária. Estudos revelam que o intervalo de tempo entre a primeira divisão celular anormal e o aparecimento de uma lesão palpável de 1 cm é de aproximadamente 10 anos e que o sucesso do tratamento com a detecção precoce é superior a 90%, na maioria das vezes sem que haja necessidade da retirada completa da mama.


Aprenda a fazer o auto-exame:
- em pé, em frente a um espelho, com braços para baixo, observe os mamilos e o contorno e superfície das mamas
- levante os braços e torne a observar
- deitada, use os dedos da mão esquerda para palpar a mama direita com movimentos circulares e suaves; repita o mesmo procedimento com a mão direita para palpar a mama esquerda.
Caso você fique em dúvida com o que você está palpando, procure seu Mastologista. Ele vai lhe orientar e, se for necessário, prosseguirá com a investigação.
Lembre-se sempre: a prevenção é a forma mais segura e eficaz de evitar o câncer de mama e, não acredite se lhe disserem que fazer mamografia dói...o que dói mesmo é ver mulheres com câncer de mama por falta de prevenção.


Solange Portela, ginecologista

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