Os Contraceptivos

domingo, 6 de julho de 2008



Tudo começou em 1951, na Cidade do México, quando Luís Miramontes, um jovem estudioso da Química, sintetizou pela primeira vez a "noretindrona" ou 17 a-etinyl-19-nortestosterona que viria a ser a pílula anticoncepcional, aprovada pelo FDA (Food and Drog Administration) em 11 de maio de 1960, em Washington, EUA.
Tal acontecimento trouxe para a mulher mudanças significativas, elevando sua alto-estima, dando a ela o direito de tratar a reprodução como uma opção e não uma "obrigação" biológica.
Talvez a descoberta de maior impacto social no século XX, a pílula anticoncepcional foi vista por muitos naquela época como a causadora da Revolução Sexual.
De lá para cá vários outros estudos foram feitos e hoje dispomos de uma gama imensa de métodos contraceptivos, sejam eles químicos ou não, adaptáveis ao perfil de cada mulher.
Apesar de tanta evolução, as informações sobre esses métodos parecem não atingir as pessoas de forma efetiva. Ainda existe uma grande confusão quanto ao mecanismo de ação de cada método contraceptivo, chegando mesmo, como no caso do DIU (Dispositivo intra-uterino), a ser confundido e interpretado como método abortivo.
Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, contracepção = anticoncepção, método ou conjunto de métodos para evitar a fecundação, ou seja, se não há fecundação não há gestação logo, não há interrupção da gestação ou aborto. O DIU atua impedindo a fecundação, seja pelo efeito espermicida do cobre, seja pela sua presença física no útero obstruindo a passagem de espermatozóides para as Trompas de Falópio, seja por alterar as características do muco cervical diminuindo a motilidade dos espermatozóides.
Ainda com relação ao DIU, hoje se faz preferência pelo T de cobre com duração de 10 anos ou pelo modelo mais novo envolvido por microdosagem de progesterona, evitando assim o desconforto da irregularidade menstrual.
Outro idéia arraigada ao pensamento de muitas mulheres é a de que os contraceptivos orais provocam aumento de peso. O que há na verdade é a possibilidade de retenção hídrica em algumas mulheres, situação esta que diminui sensivelmente quando se faz opção pelos contraceptivos de baixa dosagem ou os que tem a drosperinona na sua composição, derivado da progesterona com discreto efeito diurético. A pratica regular de exercícios físicos também previne uma possível retenção hídrica.
São muitas as formas de apresentação dos contraceptivos, variando desde os orais, os adesivos, os anéis vaginais, os implantes, até os injetáveis.
A laqueadura tubária, por ser um método irreversível, deve ficar restrito aquelas mulheres que estão seguras quanto a decisão de fazê-la, levando em conta a sua idade e o número de filhos ou por indicação médica.
Os métodos de barreira como o diafragma estão hoje em desuso pelo seu alto índice de falha, ainda que acompanhado por geléia espermicida.
Diante de tantas opções, cabe ao médico analisar o perfil de cada paciente e ajudá-la a decidir sobre qual deles é o mais adequado e quais os cuidados que cada um requer, sem deixar de afirmar que o preservativo continua sendo o único método contraceptivo capaz de proteger contra as doenças sexualmente transmissíveis.
E, o principal, o melhor método é aquele com o qual a mulher se sente segura e confortável ao usá-lo, caso contrário em pouco tempo ele, o método contraceptivo, será abandonado e ela correrá o risco de uma gravidez indesejada.

Bibliografia
Houaiss Dicionário da Língua Portuguesa 2001 1a edição
A Pílula Anticoncepcional 40 anos de Impacto Social - Schering Ag. Alemanha 1a edição 2000
Ministério da Saúde

Solange Portela, ginecologista

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D. Ruth

quarta-feira, 25 de junho de 2008




Elegância, sensibilidade, equilíbrio, sensatez, simplicidade, dignidade...
Mulher forte, dona de pensamentos inovadores que mudaram a cara dos projetos sociais no Brasil como fundadora e presidente da Comunidade Solidaria , atuando em projetos sobre democracia e responsabilidade social...
Criadora do Bolsa Escola e Bolsa Alimentação, embriões do Bolsa Família do atual governo brasileiro...
Doutora em Antropologia pela Universidade de São Paulo, professora, escritora, envolvida com questões sociais sobre direitos da mulher, imigração, juventude, violência e cidadania...
Quantas belas palavras definem esta mulher, quantas lições ela nos deixa, quantas sementes floresceram e florescerão baseadas em seus estudos e ensinamentos.
D. Ruth, nossa eterna Primeira Dama, este titulo só pode ser seu a despeito da sua atitude sempre discreta, pelo legado que a senhora nos deixa, exemplo a ser seguido pelo povo brasileiro, motivo de orgulho para todas as mulheres.

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Anticoncepcional de emergência

quinta-feira, 19 de junho de 2008


Como o próprio nome já diz, ele deve ser usado em situações de emergência. Melhor explicando, situações inesperadas ou acidentais, nas quais as mulheres ficam expostas a uma gravidez indesejada. Basicamente, são duas as principais:
-falha do método contraceptivo em uso, como nos casos em que o preservativo se rompe, quando há expulsão do DIU ou quando há esquecimento no uso dos contraceptivos orais ou injetáveis
-violência sexual
Porém, o que se pode notar é o uso cada vez mais frequente e indiscriminado dos anticoncepcionais de emergência (ACE). Há algum tempo atrás este comportamento era nitidamente mais comum entre as adolescentes, na maioria das vezes inexperientes e desinformadas sobre as questões que envolvem a saúde sexual. Hoje, mulheres adultas, que já pariram, que tem acesso a todo tipo de informação têm, inadvertidamente, feito uso dos ACE como opção de método contraceptivo de rotina.
Que ele é um método que apresenta vantagens quando usados nas indicações corretas não há dúvidas, até porque não se trata de um método abortivo como algumas pessoas pensam. Os ACE agem impedindo a fecundação, seja retardando a data da ovulação, seja modificando a consistência do muco cervical, tornando-o hostil à migração dos espermatozóides no trato genital feminino.
Porém não se pode deixar de observar alguns detalhes que se agravam quando o uso se torna abusivo. Além de efeitos colaterais como náuseas, vômitos, dor mamária, não se pode esquecer que o uso inadvertido dos ACE pode fazer aumentar a exposição e incidência das DST-AIDS, uma vez que pode haver o abandono do uso de preservativos. Importante também saber que o uso repetitivo dos ACE faz com que sua eficácia fique comprometida. O índice de falha (Índice de Pearl) que calcula o número de gestações/100 mulheres que utilizam um determinado método contraceptivo por 1 ano, para os ACE é de 2%, porém, com o uso abusivo a falha será maior. Fatores determinantes para garantir a eficácia dos ACE são o prazo decorrido entre a relação desprotegida e a administração do medicamento que não deve ser maior que 5 dias e a fase do ciclo menstrual em que a mulher se encontra no momento. O índice de eficácia é de 75%, o que quer dizer que de cada 4 possibilidades de gravidez indesejada 3 serão evitadas.
Sem dúvida, fica claro que é muito mais seguro o uso regular de um método contraceptivo de rotina e, que o preservativo é o único método que agrega as duas funções, contracepção e prevenção das DST-AIDS. Existem hoje várias formas de apresentação dos contraceptivos, todos com baixas dosagens hormonais, sejam eles as pílulas convencionais, os injetáveis, os adesivos, os anéis vaginais e até mesmo dispositivos intra-uterinos associados a baixa dose de progesterona. Cabe a cada uma de nós, sob orientação médica, decidirmos qual deles é o mais adequado ao nosso perfil e usá-los com segurança. E, sem esquecer que a associação de qualquer um deles com o preservativo traz o benefício da proteção contra as DST, incluindo o HIV.

Solange Portela, ginecologista

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Adolescentes x HIV

domingo, 8 de junho de 2008



-Como é que eu vou contar a minha mãe ?
Foi essa a primeira pergunta que eu ouvi dela, uma menina de 16 anos, após ter sido informada sobre os resultados dos exames, o que eles significavam, o que era preciso fazer daqui em diante pela sua saúde
Ela acabara de saber que é portadora do vírus HIV. No seu rosto o retrato do medo, nos seus olhos duas lágrimas carregadas de profunda dor...era evidente a quantidade de dúvidas que rondavam pela sua cabeça naquela hora mas, essa foi a primeira pergunta.
Ele tinha sido seu primeiro namorado, apenas 4 anos mais velho que ela. Ela havia pedido para que ele usasse preservativo, ele havia se negado. Ela jurara para a mãe que ele usaria.
Ela veio ao ambulatório de DST porque apareceram verrugas. Ele foi convidado a comparecer mas não o fez, aliás, ele "desapareceu da vida dela" antes mesmo dela saber o resultado das sorologias.
Ela terá acompanhamento médico e psicológico, aprenderá a diferença entre ser portadora do vírus e ter AIDS, aprenderá a se proteger, e, por causa da sua primeira pergunta penso que terá a compreensão e ajuda da mãe.
Ele, sem saber do seu estado sorológico, vai estar por aí tendo relações desprotegidas, pondo em risco a própria saúde e a das pessoas com quem mantiver relações sexuais. Sua família, muito provalvelmente, só tomará conhecimento dos fatos quando houver pouco ou quase nada a ser feito.

Apenas com estes poucos detalhes desta história podemos perceber quantas implicações existem nas questões que envolvem a sexualidade dos adolescentes. Sabemos que eles têm o "pensamento mágico" em que todo o mal vai acontecer com os outros, mas, nunca com eles.
Por isso, é preciso que se quebrem os tabus sobre o uso de preservativos, é preciso entender o que quer dizer "sexo seguro", é preciso saber o que é "comportamento de risco", é preciso conversar com eles sobre as drogas...é preciso estar mais perto deles, afinal...ainda somos os mesmos e vivemos como nossos país ?!?!


Solange Portela, ginecologista

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Curando dores, desfazendo temores... (parte 4)

sábado, 31 de maio de 2008

Considerações finais

"...muitas vezes basta ser
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita..."
( Cora Coralina )

Após exposição dos aspectos sociais, emocionais e médicos relacionados à violência sexual, faz-se necessário enfatizar os aspectos humanos.
Trabalhar no atendimento a vítimas de violência sexual significa um aprendizado constante e intenso, porém gratificante por proporcionar um crescimento humano importante para o profissional médico. Nossa formação acadêmica é voltada para estudos que nos levem a estabelecimento de diagnósticos e tratamentos, com clareza e precisão. Em um serviço de atenção a vítimas de violência sexual nos defrontamos, a todo instante, com situações muitas vezes nunca antes imaginadas, tanto no que se refere ao ato da violência como em relação às reações apresentadas pelas suas vítimas e as implicações na sua família, no seu ambiente de trabalho, na sua vida como um todo. Em decorrência disso, cada paciente merece um tratamento individualizado, com atenções voltadas às necessidades de cada um.
Os cuidados médicos com esses pacientes ultrapassam a aplicação de protocolos. Não podemos descuidar do estado de extrema fragilidade emocional em que essas pessoas se encontram nem, tão pouco, deixar de ter a consciência de que eles buscam em nós não somente medicamentos que os tire dos riscos com relação a sua saúde mas, também, uma palavra de esperança, de apoio, de conforto. Nos tornamos, naquele momento, o "amigo" até então desconhecido.
Atenção especial devemos ter com a revitimização desses pacientes, evitando perguntas desnecessárias, respeitando seus limites, explicando com clareza cada procedimento a ser realizado. Devemos deixá-los a vontade para expor seus medos e incertezas. Nossos pacientes precisam se sentir seguros, apesar do momento delicado que atravessam, para que entendam e sigam as orientações dadas.
De grande importância também são os cuidados a serem tomados com as crianças que sofrem abuso sexual. Nesses casos, a violência além de ser crônica, na grande maioria das vezes é causada por pessoas muito próximas das crianças e trazem com ela relevantes implicações sociais e emocionais.
Registramos ainda a colaboração essencial dos parceiros do VIVER que são DST-COAS, CREAIDS, IPERBA e Hospital Couto Maia, responsáveis respectivamente pelo controle sorológico e pesquisa de patógenos de transmissão sexual, fornecimento dos ARV e antibióticos, interrupção legal da gestação decorrente da violência sexual e profilaxia para Hepatite B.
Agradecimentos especiais a toda a equipe do VIVER pelo envolvimento e dedicação à causa.

"Penso conforme o tempo,
danço conforme o passo,
passo conforme o espaço,
amo conforme a fome,
como conforme a cama,
sinto conforme o mundo,
mas no fundo eu não me conformo"
( Marta Medeiros )

Solange Portela, ginecologista
Valéria Macedo, ginecologista





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Curando dores, desfazendo temores... (parte 3)

sexta-feira, 16 de maio de 2008


Os Agravos da Violência

" A luz ao fim do túnel é o brilho dos seus olhos"
( Damário da Cruz )

A violência sexual é um fenômeno universal que, por sua elevada incidência bem como pelos agravos que determina, é considerada um problema de saúde pública, representando hoje uma das principais causas de morbimortalidade, especialmente na população jovem, atingindo crianças, adolescentes, homens e mulheres.
Trabalhar em um serviço que presta este tipo de atendimento faz com que nós, profissionais da área de saúde, tenhamos não só conhecimentos técnicos sobre clínica médica, medicina legal e sexologia forense como também sensibilidade suficiente no trato com essas pessoas no sentido de evitar a revitimização.
Segundo o artigo 13 do Estatuto da Criança e do Adolescente, todos os profissionais de saúde e educação têm o dever de denunciar os casos suspeitos ou confirmados dos quais tenham conhecimento. A denúncia deve ser feita ao Conselho Tutelar ou à Vara da Infância e Juventude local, sem prejuízo de outras medidas legais. O não cumprimento deste artigo prevê multa de até 40 salários mínimos.
Essas pessoas chegam para atendimento médico no Viver após o exame pericial no Instituto Médico Legal e acolhimento no Serviço Social. Neste momento o grande temor vivido por eles se concentra nos riscos de contrair as infecções sexualmente transmissíveis (IST), principalmente o HIV, e, no caso das mulheres, de vir a engravidar em decorrência da violência sofrida.
-"...Doutora, vou pegar AIDS ?..." - esta, com certeza, é a mais frequente pergunta que ouvimos na maioria dos atendimentos. Neste momento devemos criar um vínculo de confiança com estas pessoas, passando para elas dados e informações quanto aos agravos sofridos. A relação médico-paciente estabelecida a partir daí será determinante para que se cumpram as normas previstas no Protocolo do Ministério da Saúde para profilaxia das ISTs, ou seja, que haja adesão por parte da vítima.
Após anamnese detalhada com foco na data da última menstruação, métodos contraceptivos, informações sobre o parceiro sexual, etc, iremos nos deter na história da violência. As profilaxias adotadas variam de acordo com a violência sofrida. As situações que oferecem maior risco são:

  • sexo anal desprotegido
  • lesões das mucosas
  • agressores sabidamente usuários de drogas injetáveis
  • outros comportamentos de risco para HIV e demais ISTs
  • número de agressores envolvidos

A subnotificação de dados sobre violência sexual e o pequeno número de trabalhos científicos realizados nesta área são fatos que dificultam o atendimento médico.

Um outro detalhe importante no que diz respeito às prescrições medicamentosas é o prazo decorrido entre a violência e o atendimento médico. Quanto mais cedo o atendimento médico acontecer, melhor será o resultado.

Os anti-retrovirais devem ser administrados até 72 horas e usados por 4 semanas consecutivas. Já a profilaxia para as ISTs bacterianas devem ter inicio no mesmo prazo e preferencialmente em doses únicas, conseguindo assim uma maior adesão ao uso dos antibióticos.

Para a profilaxia da Hepatite B temos que avaliar a condição vacinal prévia da vítima. Também aqui seguimos o esquema adotado pelo Ministério da Saúde.

Faz parte também deste protocolo o acompanhamento laboratorial pelo período de 01 ano, quando serão realizadas as sorologias e pesquisas de patógenos no trato genital.

Sabe-se que 16% das mulheres que sofrem violência sexual contraem algum tipo de IST e que 1 em cada 1000 é infectada pelo HIV, conforme literatura internacional.

Outra consequência grave da violência sexual é a gravidez pelas reações psicológicas, sociais e médicas que provoca, por isso mesmo vista como uma segunda violência, difícil de ser aceita pela maioria das mulheres. Estima-se que 1 a 5% dos estupros resultem em gravidez.

A profilaxia da gravidez pode ser feita até 5 dias após a violência, de preferência com Levonorgestrel 0,75 em 2 tomadas, já que esta droga não interage com os anti-retrovirais. Caso o prazo de 5 dias seja perdido, poderá ser praticado o aborto legal até a 20a semana de gestação, conforme o artigo 128 do Código Penal Brasileiro que estabelece que não se pune o aborto praticado por médico quando não há outro meio de salvar a vida da gestante ou se a gravidez resulta de estupro. Tal procedimento deverá ser precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, seu representante legal.

Acima das 20 semanas só nos resta o encaminhamento para o pré-natal de alto risco e acompanhamento psico-social e jurídico.

Bibliografia:

  • Centro de Referência Estadual na Prevenção e Controle das DSTs - Manual do Manejo Clínico das ISTs para Profissionais da Atenção Básica de Saúde - SESAB - 2004
  • Estatuto da Criança e Adolescente
  • Ministério da Saúde - Oficina de Capacitação sobre Profilaxia de DST/HIV/AIDS e Hepatites Virais em Situação de Violência Sexual e outras formas de Exploração Sexual - Brasilia - DF - 2002
  • Protocolo do Ministério da Saúde para Atendimento a Vítimas de Violência Sexual - 2002
  • ROMERO, Prof.Mauro - Doenças Sexualmente Transmissíveis - Manual de DST - 1995
  • FRANÇA, Genivaldo Veloso de - Medicina Legal 5a edição
  • FORSTER GE et al.- Genitorium Med., 62, 1990

Solange Portela, ginecologista

Valéria Macedo, ginecologista

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Perguntas sem respostas

terça-feira, 29 de abril de 2008


Há 1 mês a imprensa brasileira divulga incessantemente notícias, relatórios periciais, fotos e depoimentos sobre o cruel assassinato de Isabella. Todas as redes nacionais de telecomunicações fazem questão de "divulgar com exclusividade" provas e contra-provas sobre os possíveis "responsáveis" por esta tragédia.
Me parece mais uma busca por índices de audiência do que propriamente o interesse em divulgar uma notícia e assim alertar, mostrar, sensibilizar a população para um problema tão sério como esse. Me parece que a violência desta história vai além das limitações que nos são impostas pela imprensa.
A imprensa é investigativa ? Então por que somente uma suspeita foi levantada ? A imprensa é informativa ? Então por que não lançar campanhas direcionadas aos pais, educadores, profissionais da área de saúde, todos enfim que se ocupam em cuidar de crianças, sobre os riscos diários que elas correm, muitas vezes dentro de suas próprias casas ? Sobre a obrigação de denunciar ao Conselho Tutelar qualquer suspeita de violência contra crianças ?
Em lugar disso assistimos pessoas apedrejando e julgando supostos agressores sem ao menos se perguntarem se elas próprias estão fazendo sua lição de casa, cuidando bem de seus filhos, sobrinhos, netos, alunos, crianças enfim...
Eu me pergunto: ao invés de quem, por que alguém fez isso com Isabella ? Que grave ameaça essa criança poderia significar para esse alguém ? Infelizmente Isabella é apenas mais uma das nossas crianças submetidas a barbáries praticadas por adultos.
Quantos cruéis agressores vitimizam diariamente nossas crianças no Brasil ? E no planeta ? Quem são essas crianças que na maioria das vezes nem chegam ao nosso conhecimento ? O que querem essas pessoas ? E... por que com as crianças ?

Solange Portela, ginecologista

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Curando dores, desfazendo temores... (parte 2)

quinta-feira, 17 de abril de 2008


"...é pela paz que eu não quero seguir admitindo"
Falcão ( "O Rappa" )


As pessoas que chegam até nós, após exame pericial no Instituto Medico Legal Nina Rodrigues, trazem no corpo as marcas da violência, nos olhos uma tristeza profunda e na alma a fragilidade causada pelo abalo à sua alto-estima. São, estatísticamente, na sua maioria, crianças, mulheres jovens e adolescentes.
Cabe aqui uma descrição detalhada desses três principais grupos.

As crianças chegam ao Serviço apresentando medo, insegurança, vergonha, sentimentos estes comuns a todas as vítimas de violência sexual, além de encontrarmos alguns agravantes que dão proporções ainda maiores ao já tão sério problema. Tratamos aqui da não aceitação da existência da violência por parte dos familiares, muitas vezes as próprias mães que, por questões as mais diversas tais como culturais, sociais, econômicas, etc, se recusam a encarar os fatos, tornando as crianças ainda mais vulneráveis aos seus agressores. Tratamos aqui também dos maus tratos físicos e psicológicos sofridos por essas crianças que muitas vezes fazem ainda mais distante para elas a possibilidade de contar para alguém sobre a violência que vêm sofrendo.

"...e por que essas manchas nas suas pernas ?
- Eu cai, brincando com meu irmão.
Depois de alguns minutos : - Minha mãe me deu uma surra com o cinto quando eu contei a ela..."
(criança, sexo feminino, 10 anos, vítima de abuso sexual crônico pelo vizinho).

Não podemos deixar de ressaltar os danos e consequências das tentativas de explorar sexualmente crianças, através de doces, moedas, brinquedos, etc, onde os adultos se valem desse "direito" de exercer seu poder sobre pessoas já tão indefesas e carentes.

"...se eu deixasse, ele me dava R$ 1,00...se eu não deixasse ele me dava R$ 0,50..." (ainda a mesma criança)

Temos que ficar atentos ao fato de que essas crianças vitimizadas sexualmente correm, entre outros, os graves riscos da revitimização e de virem a se tornar agressores ao longo de suas vidas.

Com referência às mulheres jovens, atingidas principalmente pela chamada "violência de rua", estas chegam ao Serviço trazendo medos e dúvidas com relação à gravidez indesejada e risco de contágio pelo HIV. Sentem-se ultrajadas nos seus objetivos de vida, visto que muitas vezes a agressão ocorre no caminho de ida ou volta para o trabalho, faculdade ou outras atividades, deixando nelas um sentimento de profunda indignação e humilhação. Muitas vezes podemos perceber nas entrelinhas dos relatos que ouvimos que, além da necessidade doentia de "satisfação" sexual do agressor, existe também o "prazer" em destruir os ideais daquela mulher.

"...eram 5 , doutora...eles me espancaram até eu quase desmaiar...depois vieram um a um...depois me jogaram na lagoa...por que isso comigo, doutora ?..."
(relato de L.S.C., 32 anos, violentada no dia do seu aniversário).

Já as adolescentes, que correm igual risco com relação à violência de rua, sofrem também muitas vezes a violência doméstica, praticada por pais, tios, amigos da família que agem como se tivessem "poder" sobre aquele corpo frágil e vulnerável.
Essas meninas carregam com elas, além da dor pelos sentimentos traídos dentro do próprio ambiente onde vivem, um sentimento de culpa que abala seriamente sua alto-estima.

É necessário que se desfaça o mito de que a violência sexual está diretamente ligada à pobreza e carências das pessoas. Sem dúvida, as classes menos privilegiadas enfrentam problemas sociais e culturais que facilitam os abusos sexuais, porém, na verdade eles ocorrem também nas classes mais abastadas da sociedade.

Solange Portela, ginecologista
Valéria Macedo, ginecologista

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Curando dores, desfazendo temores... (parte 1)

domingo, 13 de abril de 2008

Os textos que passo a publicar daqui em diante são frutos da minha experiência de 4 anos no atendimento às vítimas de violência sexual no VIVER ( Serviço de Atenção às Vítimas de Violência Sexual da Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia )



"Quem não compreende um olhar,
tampouco compreenderá uma longa explicação"
( Mário Quintana )

A atenção médica às vítimas de violência sexual visa não somente promover a prevenção da gravidez indesejada e profilaxia das DST-AIDS, procedimentos estes, sem dúvida, de suma importância para restabelecer a integridade física e emocional de cada indívíduo que busca ajuda em serviços especializados. Ultrapassando os limites dos conhecimentos técnicos e dados epidemiológicos, o atendimento médico requer cuidados especiais voltados para as individualidades de cada um deles.

Para os profissionais médicos cada relato das situações pelas quais passam nossos clientes significa um novo aprendizado, onde devemos estar atentos aos detalhes do ocorrido e às emoções a nós transmitidas. Importantíssimo nos despirmos de pudores e preconceitos que possam influir de forma negativa nas orientações dadas e procedimentos a serem adotados.
É imprescindível que o cliente se sinta acolhido e respeitado para que alcancemos êxito no nosso objetivo maior que é o restabelecimento da saúde integral das pessoas que nos procuram.
Cada indivíduo deve receber informações claras e precisas sobre as medicações a serem usadas, assim como os riscos e benefícios aos quais ele está sujeito. Deve saber também que ele tem o direito de não querer usá-las, mas cabe a nós médicos orientá-los para que esta decisão seja tomada de forma consciente. Não podemos esquecer que essas pessoas estão passando por momentos especialmente difíceis e inesperados, precisando, portanto, do nosso apoio e nossa compreensão.
Diante do exposto, fica claro que o atendimento médico às vítimas de violência sexual apresenta peculiaridades próprias, fugindo à rotina da prática médica convencional.

Solange Portela, ginecologista

Valéria Macedo, ginecologista

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Pela Paz

sexta-feira, 11 de abril de 2008

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Os Olhos de Ayda

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Verdes, cor de azeitona
olhar de criança chorona...
Inesquecíveis e intrigantes raios de pureza
mesmo quando não se via beleza
Pareciam querer entender o mundo,
pareciam querer se fazer entender
Doces olhos verdes e puros de criança
descansam agora no azul profundo,
agora onde a paz os alcança.


Solange Portela
Salvador, 27/03/2008

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Women in art

sexta-feira, 21 de março de 2008

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Carnaval 2008

sexta-feira, 14 de março de 2008


INDULTO DE CARNAVAL

Inimigas número 1 que somos da tristeza e da solidão,
prisioneiras da alegria de viver,
cúmplices da ética e da dignidade,
concedemos a nós mesmas o indulto de carnaval
com direito a metralhar as falsidades, as traições e o desamor.
Ameaçamos ter sempre uma bala na agulha contra as injustiças
e a corrupção, detonaremos sem piedade a falta de solidariedade e os preconceitos.Nosso motim será pela paz, tornaremos reféns todos que dela quiserem se afastar e
apostamos no amor como a única forma de sermos livres.

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Carnaval 2008


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Carnaval 2007

quinta-feira, 6 de março de 2008



As Ex-amelias por Rita Lee

Desculpe o auê, mulher é assim mesmo, bicho esquisito, mas sabe como ninguém que sexo só do bom e amor sempre para o bem.
Sem essa de ovelha negra, não quero magoar você mas, sei muito bem a hora de assumir, de sumir ou de ficar na sala com esse tal de rock n`roll. Afinal, se você conhece essa cara, se sabe que esse peito não é de silicone deve saber também que não quero luxo, muito menos lixo, quero apenas gozar no final.
Não esqueça, nem toda feiticeira é corcunda, nem toda força é bruta, por isso não provoque, você pode levar um choque ou, quem sabe até um belo dia se libertar dessa vida vulgar e fazer tudo que eu queria que você fizesse...
E depois é só se dar conta que a gente nasceu pra saber...saber o quê !? Que patéticos ou epilépticos, ouvindo bossa nova ou pulando carnaval, tudo o que queremos é estar empapuçados de amor !


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Carnaval 2007

Esta caricatura de Rita Lee foi um presente do
artista plástico Iuri Tavares, especialmente feito para as Ex-amelias, neste carnaval.

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Forró das Ex-amelias 2006

quarta-feira, 5 de março de 2008

...olha que isso aqui foi muito bom
isso aqui foi bom demais...

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Forró das Ex-amelias 2006











...noite tão fria de junho, São João...
E a galera do Forró no Kilo aqueceu
os corações e animou o arrasta pé até
o dia amanhecer ...

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Forró das Ex-amelias 2006


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Forró das Ex-amelias 2006


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