Os Contraceptivos

domingo, 6 de julho de 2008



Tudo começou em 1951, na Cidade do México, quando Luís Miramontes, um jovem estudioso da Química, sintetizou pela primeira vez a "noretindrona" ou 17 a-etinyl-19-nortestosterona que viria a ser a pílula anticoncepcional, aprovada pelo FDA (Food and Drog Administration) em 11 de maio de 1960, em Washington, EUA.
Tal acontecimento trouxe para a mulher mudanças significativas, elevando sua alto-estima, dando a ela o direito de tratar a reprodução como uma opção e não uma "obrigação" biológica.
Talvez a descoberta de maior impacto social no século XX, a pílula anticoncepcional foi vista por muitos naquela época como a causadora da Revolução Sexual.
De lá para cá vários outros estudos foram feitos e hoje dispomos de uma gama imensa de métodos contraceptivos, sejam eles químicos ou não, adaptáveis ao perfil de cada mulher.
Apesar de tanta evolução, as informações sobre esses métodos parecem não atingir as pessoas de forma efetiva. Ainda existe uma grande confusão quanto ao mecanismo de ação de cada método contraceptivo, chegando mesmo, como no caso do DIU (Dispositivo intra-uterino), a ser confundido e interpretado como método abortivo.
Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, contracepção = anticoncepção, método ou conjunto de métodos para evitar a fecundação, ou seja, se não há fecundação não há gestação logo, não há interrupção da gestação ou aborto. O DIU atua impedindo a fecundação, seja pelo efeito espermicida do cobre, seja pela sua presença física no útero obstruindo a passagem de espermatozóides para as Trompas de Falópio, seja por alterar as características do muco cervical diminuindo a motilidade dos espermatozóides.
Ainda com relação ao DIU, hoje se faz preferência pelo T de cobre com duração de 10 anos ou pelo modelo mais novo envolvido por microdosagem de progesterona, evitando assim o desconforto da irregularidade menstrual.
Outro idéia arraigada ao pensamento de muitas mulheres é a de que os contraceptivos orais provocam aumento de peso. O que há na verdade é a possibilidade de retenção hídrica em algumas mulheres, situação esta que diminui sensivelmente quando se faz opção pelos contraceptivos de baixa dosagem ou os que tem a drosperinona na sua composição, derivado da progesterona com discreto efeito diurético. A pratica regular de exercícios físicos também previne uma possível retenção hídrica.
São muitas as formas de apresentação dos contraceptivos, variando desde os orais, os adesivos, os anéis vaginais, os implantes, até os injetáveis.
A laqueadura tubária, por ser um método irreversível, deve ficar restrito aquelas mulheres que estão seguras quanto a decisão de fazê-la, levando em conta a sua idade e o número de filhos ou por indicação médica.
Os métodos de barreira como o diafragma estão hoje em desuso pelo seu alto índice de falha, ainda que acompanhado por geléia espermicida.
Diante de tantas opções, cabe ao médico analisar o perfil de cada paciente e ajudá-la a decidir sobre qual deles é o mais adequado e quais os cuidados que cada um requer, sem deixar de afirmar que o preservativo continua sendo o único método contraceptivo capaz de proteger contra as doenças sexualmente transmissíveis.
E, o principal, o melhor método é aquele com o qual a mulher se sente segura e confortável ao usá-lo, caso contrário em pouco tempo ele, o método contraceptivo, será abandonado e ela correrá o risco de uma gravidez indesejada.

Bibliografia
Houaiss Dicionário da Língua Portuguesa 2001 1a edição
A Pílula Anticoncepcional 40 anos de Impacto Social - Schering Ag. Alemanha 1a edição 2000
Ministério da Saúde

Solange Portela, ginecologista

2 comentários:

Ana disse...

Olá Solange,
Seu artigo nos oferece uma visão geral sobre a história da pílula e seus efeitos positivos, a nível também psicológico. Gostei muito.
A década de sessenta foi realmente incrível! Vários eventos aconteceram, como num passe de mágica, onde um foi impulsionando o outro; fazendo a cama para uma próxima desconstrução e assim tivemos um incremento da era pós-moderna. Hoje, sinto que ainda estamos com a 'casa' desarrumada e precisamos nos reinventar. A pílula vem corroborar para tal. Não ficamos entregues totalmente à 'gula' da mãe natureza em querer encharcar este planeta, a qualquer preço, de seres humanos. Passamos a poder reinventar nossa prole, planejando o melhor momento para vir. Isto já conta muito para sermos também felizes e termos menos Amélias por aí.
Beijo,
Ana Luzia Outeiro

ex amelias disse...

Oi, Ana
Obrigada por suas palavras.
A decada de 60 foi mesmo surpreendente e trouxe mudanças radicais, sobretudo para a vida das Amelias...
Beijo
Solange