Sífilis Congênita

quinta-feira, 23 de outubro de 2008


Durante o mês de Outubro a Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis (SBDST), com o apoio do Programa Nacional de DST/Aids e da FEBRASGO, promove por todo o território nacional uma campanha voltada à eliminação da sífilis congênita. Na Bahia o evento conta com a parceria da Coordenação Estadual de DST/Aids e do Centro de Referência Estadual das DST/Aids (CREAIDS).
Com a finalidade de conscientizar a sociedade para o combate a esta doença, a campanha deste ano tem como lema "Homem, faça o exame da sífilis".
Também conhecida como lues ou cancro duro, a sífilis é uma doença infecto-contagiosa, de evolução crônica. A transmissão ocorre por via sexual, outros contatos íntimos ou também de mãe para filho, seja durante a gestação ou durante o parto, quando a criança pode ter contato com lesões maternas.
O agente etiológico (causador) é o Treponema pallidum, patógeno exclusivo do ser humano.
Sabe-se hoje, no Brasil, que a taxa de prevalência da sífilis em gestantes é quatro vezes maior do que a do HIV, correspondendo a algo em torno de 48.000 grávidas com sífilis a cada 3 milhões de partos/ano. Isso significa 12.000 casos de sífilis congênita, com consequências sérias que vão desde o aborto expontâneo até mal formações congênitas. Conforme dados do Ministério da Saúde, a maioria das mães de crianças infectadas (54%) está na faixa dos 20 a 29 anos de idade e que 75, 8% delas fizeram pré-natal, tendo sido diagnosticada a sífilis em 53,7% delas.
Segundo Dr. Roberto Fontes, presidente da Regional Bahia da SBDST, é necessário refletir sobre a qualidade da assistência pré natal oferecida a essas mulheres e a seus parceiros, colaborando diretamente para a manutenção deste cenário. E alerta, "...fato praticamente imutável é a pouca atenção dada ao tratamento do parceiro...apenas 16,6% deles são tratados."
Conforme objetivos estabelecidos pela ONU, em 2000, a erradicação da sífilis congênita compõe o conjunto de Metas do Milênio, por um mundo mais justo e solidário. Apesar do diagnóstico fácil, tratamento bem estabelecido e das estratégias para o controle, esta doença permanece sendo um desafio para profissionais de saúde, gestores e sociedade.
Participe você também desta campanha. Incentive as gestantes a realizarem exames pré natal e esclareça seus parceiros sobre a importância em colaborar. Os benefícios serão para todos !!


Colaboração do Dr. Roberto Fontes, amigo de muitos anos, parceiro na luta contra as DST em nosso Estado
Bibliografia:
-Deessetologia no Bolso
Passos, Mauro Romero Leal - 2004
-Diretrizes para o Controle da Sífilis Congênita
Ministério da Saúde
Secretaria de Vigilância em saúde
Programa Nacional de DST/Aids
-Manual de Orientação Dst/Aids
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO)

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Câncer de mama tem cura

quarta-feira, 15 de outubro de 2008


O câncer ou neoplasia é basicamente um distúrbio da multiplicação celular, devido a alterações no seu DNA. Pode ser invasivo (metastático) quando as células cancerosas alcançam a corrente sanguínea e vão se implantar em outros órgãos além daquele de origem.
A formação do câncer de mama obedece a um processo que ocorre em 3 etapas: iniciação, promoção e progressão.
A iniciação é a lesão do DNA, que, apesar de poder ser herdada ou adquirida, em apenas 5 a 10% dos casos decorrem de herança genética familiar. A promoção é a multiplicação dessas células com DNA alterado e a progressão é quando as células cancerosas invadem a membrana basal, alcançando os vasos capilares e linfáticos, podendo atingir, assim, outros órgãos como pulmões, ossos e fígado. Ao contrário do que se pensa, não apenas as mulheres podem ter câncer de mama. Estima-se que para cada 200 casos em mulheres existe um em homem.
A eficácia do tratamento está fortemente ligada à detecção precoce do câncer.
As estratégias para prevenção do câncer de mama são de 2 tipos: prevenção primária que visa evitar a sua formação, e a prevenção secundária que tem como objetivo a detecção precoce.
Faça sua parte, previna-se !! A prevenção primária depende basicamente das suas atitudes. Acostume-se a fazer o auto-exame uma vez por mês, logo após o período menstrual. Se você não tem útero ou já está na menopausa estabeleça uma data mensal para seu auto-exame. Assim você aprende a conhecer suas mamas e as alterações que elas apresentam durante seus ciclos, que, na maioria das vezes são fisiológicas, ou seja, são normais.
Adquira hábitos saudáveis como alimentação pobre em gorduras, evite cigarros e bebidas alcoólicas em excesso, pratique exercícios regularmente.
A partir dos 40 anos, uma vez ao ano faça uma consulta ao seu Mastologista e realize mamografia e ultrassonografia mamária. Estudos revelam que o intervalo de tempo entre a primeira divisão celular anormal e o aparecimento de uma lesão palpável de 1 cm é de aproximadamente 10 anos e que o sucesso do tratamento com a detecção precoce é superior a 90%, na maioria das vezes sem que haja necessidade da retirada completa da mama.


Aprenda a fazer o auto-exame:
- em pé, em frente a um espelho, com braços para baixo, observe os mamilos e o contorno e superfície das mamas
- levante os braços e torne a observar
- deitada, use os dedos da mão esquerda para palpar a mama direita com movimentos circulares e suaves; repita o mesmo procedimento com a mão direita para palpar a mama esquerda.
Caso você fique em dúvida com o que você está palpando, procure seu Mastologista. Ele vai lhe orientar e, se for necessário, prosseguirá com a investigação.
Lembre-se sempre: a prevenção é a forma mais segura e eficaz de evitar o câncer de mama e, não acredite se lhe disserem que fazer mamografia dói...o que dói mesmo é ver mulheres com câncer de mama por falta de prevenção.


Solange Portela, ginecologista

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Obesidade, combata esta epidemia

sexta-feira, 10 de outubro de 2008



















Até há alguns anos atrás considerada uma doença de adultos, a obesidade vem atingindo cada vez mais as crianças e os adolescentes, passando a ser considerada como uma epidemia mundial. A sua associação a alterações metabólicas como dislipidemia, hipertensão arterial e intolerância à glicose aumentam o risco para o diabetes mellitus tipo 2, doenças cardiovasculares e hipotiroidismo, entre outros.
Fatores fisiológicos, metabólicos e genéticos são importantes na gênese da obesidade, porém, diversos estudos apontam para as mudanças no estilo de vida, como o sedentarismo, e hábitos alimentares que incluem na dieta alimentos ricos em gorduras e açucares, como determinantes para o aumento da incidência da obesidade, sobretudo em crianças e adolescentes. Sabe-se também que quanto maior o tempo de duração da obesidade maiores os riscos para doenças cardiovasculares.
O diagnóstico de obesidade é dado pela avaliação clínica e interpretação do Índice de Massa Corpórea. Este índice é reconhecido mundialmente como padrão para avaliar o grau de obesidade e é calculado por uma equação onde se divide o peso (Kg) pela altura ao quadrado (m2) de cada indivíduo. Calcule o seu e siga a tabela abaixo:

  • abaixo do peso ............IMC abaixo de 18,5
  • peso normal ................IMC entre 18,5 a 24,9
  • sobrepeso ...................IMC entre 25,0 a 29,9
  • obesidade grau I ..........IMC entre 30,0 a 34,9
  • obesidade grau II..........IMC entre 35,0 a 39,9
  • obesidade grau III ........IMC acima de 40,0

Fatores ambientais determinados pela vida moderna, sobretudo nos grandes centros do mundo ocidental, como alimentos industrializados com altas taxas de lipídios e glicídios, comodidades como o uso de controles remotos e telefones celulares, e o forte impacto da mídia sobre as crianças colaboram de forma expressiva com a carga genética de cada indivíduo, facilitando o surgimento da obesidade.
A alimentação equilibrada, rica em fibras, frutas e verduras, com baixo teor de gorduras e açucares, em horários regulares, além do incentivo à prática de exercícios físicos são a melhor receita para a prevenção da obesidade, principalmente entre as crianças e adolescentes.


A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, regional Bahia, em parceria com a ABESO, Laboratórios Sanofi Aventis, Aché e Roche, promove mais um evento em Salvador, voltado à orientação da população quanto à prevenção e tratamento da Obesidade.
Colaboração da Dra. Ana Maria Ribeiro, endocrinologista, organizadora do evento.

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Tireóide, nosso escudo

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A tireóide é uma glândula em forma de borboleta, que se localiza no pescoço, em frente à traqueia e logo abaixo da laringe. Seu nome deriva da palavra grega "escudo", a princípio pela sua localização e anatomia, porém sabemos que ela é também um escudo no sentido de proteger e equilibrar diversas funções do corpo humano. A tireóide produz e armazena em seus folículos os hormônios T3 e T4 que são liberados na corrente sanguínea, a depender das necessidades metabólicas de cada indivíduo. Essa produção por sua vez é mediada pelo TSH, um outro hormônio secretado pela glândula hipósife que se encontra na sela túrcica, na base do cérebro.
A tireóide pode sofrer várias patologias, algumas desencadeadas por fatores ambientais, outras por deficiências na ingestão de vitaminas e iodo e, até mesmo a desnutrição. As mais conhecidas são o hiper e o hipotiroidismo, porém existem também os bócios, os tumores, o mixedema, as tiroidites, entre outros.
Os sintomas muita vezes passam despercebidos ou podem ser confundidos e/ou mascarados por outras patologias. O auto exame é uma importante arma na detecção precoce das possíveis alterações da tireóide.
Com a intenção de alertar e informar a população de Salvador sobre questões ligadas a essa glândula tão especial e única do nosso organismo, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia regional Bahia patrocina este importante evento e convida todos a participarem das atividades programadas para sábado, 04/10, no Farol da Barra, em Salvador, a partir das 8:00hs.


Colaboração da minha amiga, Dra. Ana Maria Ribeiro, endocrinologista e Examelia


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Radicais livres, quem são eles

terça-feira, 23 de setembro de 2008



São átomos ou moléculas que possuem na sua última camada eletrônica um número ímpar de elétrons. O não-emparelhamento desses elétrons é que confere alta reatividade aos átomos ou moléculas e faz com eles roubem elétrons de outras moléculas para que se estabilizem, através de reações de óxido-redução, onde quem cede elétron oxidá-se e quem recebe reduz-se. Com isso surgem outros radicais livres.
Em sua maioria eles têm origem endógena, derivados do metabolismo do oxigênio. Existem também causas externas capazes de desencadear a formação desses radicais, como: poluição, radiações, cigarro, aditivos químicos, ingestão de gorduras saturadas e stress. As células do corpo humano são capazes de neutralizar a ação dos radicais livres em até 99% das vezes, portanto, a exposição exagerada aos agentes acima citados é que faz aumentar a quantidade de radicais livres no nosso organismo, facilitando o aparecimento de alterações irreversíveis nas células, enfraquecimento do sistema imunológico e envelhecimento.
É aqui que entram os antioxidantes. Como disse antes, os radicais livres surgem de reações de óxido-redução. Os antioxidantes, como o próprio nome sugere, são substâncias contidas em alimentos, especialmente as frutas, verduras, soja e carne branca, com carga positiva que se combinam com a carga negativa dos radicais livres, tornando-as neutras, e, assim, inofensivas a nossa saúde. Essas moléculas são as vitaminas A, C e E, as isoflavonas da soja, o zinco, o selênio, o licopeno e bioflavonoides.
A prática de exercícios físicos é mais uma forma de proteção contra os radicais livres. Num primeiro momento poderia se pensar que pelo aumento do consumo de oxigênio durante a atividade física, a quantidade de radicais livres também estaria aumentada. Porém, segundo Dr. Cooper, em seu livro "Revolução Antioxidante", a ação dos radicais livres aumenta apenas temporariamente, voltando rapidamente ao nível normal. A atividade física regular aumenta os níveis de enzimas que destroem esses radicais, diminuindo seus efeitos sobre o corpo humano.

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Mais um Selo

segunda-feira, 15 de setembro de 2008


É com a mesma emoção do primeiro que recebo este segundo selo, Campanha da Amizade, enviado com muito carinho pelo meu amigo Happy Blue.
No espaço de uma semana foram 3 as manifestações delicadas e gentis que vieram de vocês. Isso aumenta a minha responsbilidade e, claro, me deixa muito feliz !!!




Tenho agora a díficil tarefa de escolher 5 amigos a quem repasso o selo. Com certeza eles repassarão a outros e isso aumenta as oportunidades de conhecer novos amigos e reforçar as relações.

Espero que gostem...os escolhidos foram vocês:
The best , de Luis Ricardo
Blogatadas , de Tá-se Bem
deboramartins , de Débora Martins
Fotos de Natureza , de Renata Pasini
Comer bem e barato  , de André e Lady (aproveito para convidá-los, a todos, a saborear a deliciosa cozinha baiana)

Beijos...

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O Médico e o Paciente

domingo, 14 de setembro de 2008



Longe de mim querer esgotar um assunto tão importante quanto este. Me proponho apenas a pontuar questões do dia a dia dos médicos, nossas dificuldades e nosso empenho no trato com nossos pacientes. Dedico essas poucas observações ao muito que aprendi sobre Ética e Relação Médico-Paciente com três grandes mestres: Dr. Alexinaldo Portela, meu pai, que me ensinou, entre outras coisas, "... se você escutar seu paciente, 80% do seu diagnóstico está feito"; Dr. Nelson Barros, amigo querido, ex-Secretário de Saúde da Bahia e pediatra dos meus filhos, que me disse na cerimônia da minha colação de grau "...nunca pare de estudar" e, Dr. Anibal Silvany, saudoso amigo e mestre, catedrático da Faculdade de Medicina da Ufba, que, entre tantas lições, me mostrou como ninguém a importância de saber observar a vida.

A relação médico-paciente é, na sua essência, uma relação de confiança. O estabelecimento dessa relação é que determinará a chance de sucesso, ou seja, o benefício para o paciente em consequência do saber do médico. Exige do profissional uma habilidade que não é ensinada nas faculdades de Medicina e, tão pouco se aprende em livros e, será determinante quanto aos efeitos produzidos no indivíduo e na sociedade.
São várias as publicações de renomados autores sobre o assunto, porém, na maioria das vezes abordadas de formas nem sempre alinhadas com as práticas de consultório, onde ela realmente se dá e onde aprendemos a desenvolver esta habilidade.
Quero dizer com isso que é olhando nos olhos do nosso paciente, ouvindo todas as suas queixas e fazendo um exame físico detalhado que poderemos entendê-lo e ajudá-lo. Temos que vê-lo como a uma pessoa, com atenção não somente na fisiopatologia mas também nos fatores sociais e emocionais vividos por ele. Pensando nisso digo que a primeira e principal questão, que leva o indivíduo a um consultório médico é "o que é que eu tenho?" e é a esta indagação que devemos procurar entender em toda a sua subjetividade e responder com a maior clareza possível. Não podemos esquecer que a ação terapêutica nem sempre depende de prescrição de medicamentos.
Nosso paciente merece de nós toda a nossa atenção e respeito, a despeito das limitações impostas pelos planos de saúde, do cansaço e stress inerentes à prática médica, das deficiências dos sistemas de saúde. Explicação precisa e feita com palavreado adequado sobre as questões trazidas, exames e medicações é fundamental para que as orientações sejam seguidas e o objetivo alcançado. Quanto maior o envolvimento e mais seguro o paciente se sentir, quanto melhor a relação interpessoal criada entre ambos, melhor será o resultado.



Solange Portela, ginecologista








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sexta-feira, 12 de setembro de 2008





















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O Primeiro Selo a Gente não Esquece

quarta-feira, 10 de setembro de 2008


Recebi ontem, do meu novo amigo Fabio Inacio, autor do art-inc.blogspot.com, o selo que vocês vêem na coluna da direita, logo acima dos Meus Favoritos.
Foi uma grande honra para mim e, é com alegria que repasso para outros que para mim também são especiais:

ultimobaile.com , Lucas Portela, pela emoção traduzida em palavras
miltesouros.blogspot.com , Luiza Amália, pela delicadeza no ser
culturanordestina.blogspot.com , Marcos França, pela nossa cultura

Beijos e, espero que vocês curtam tanto quanto eu curti...

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MAE.COM

terça-feira, 2 de setembro de 2008


Convenção Familiar - Temporada 2008

Queridos Filhos,



Em primeiro lugar, Mamãe gostaria de agradecer a presença de todos
nesta Primeira Convenção Familiar. Mamãe sabe como foi difícil abrir um espaço nas agendas de cada um de vocês: Papai tinha uma lavagem de carro praticamente inadiável, Júnior já tinha marcado de se trancar no quarto, Carol estava para receber pelo menos três telefonemas importantíssimos de uma hora e meia cada um.
Mamãe está comovida. Muito obrigada.
Bem, conforme Mamãe já tinha mais ou menos antecipado, esta convenção é
para comunicar ao público interno - Papai, Júnior e Carol - todas as modificações nos produtos e serviços da linha Mamãe.
Como vocês sabem, a última vez que Mamãe passou por reformulações
foi há 14 anos, com o nascimento do Júnior. De lá para cá, os hábitos e costumes, o panorama cultural, a economia e o mercado passaram por transformações radicais. Mamãe precisa acompanhar a evolução dos tempos, sob pena de ver sua marca desvalorizada.
Para começar, Mamãe vai mudar a embalagem. Mamãe sabe que esta é uma
decisão polêmica, mas, acreditem, é o que deve ser feito. Mamãe sai desta convenção direto para um spa, e de lá para uma clínica de cirurgia plástica. Nada assim tão radical. Serão pouquíssimas alterações de rótulo, vocês vão ver.
Mamãe vai continuar com praticamente o mesmo formato, só que com linhas
mais retas em alguns lugares e linhas mais curvas em outros. 
Calma, Papai ! Mamãe já captou recursos no mercado.
Mamãe vai ser patrocinada por uma nova marca de comida congelada e pela Lei Rouanet, porque Mamãe também é cultura. Junto com o lançamento da nova embalagem de Mamãe, no entanto, acontecerá o movimento mais arriscado deste plano de reposicionamento.
Sinto informar, mas Mamãe vai tirar do mercado o produto Supermãe.
Não, não, não adianta reclamar. Supermãe já deu o que tinha de dar. Trata-se de um produto anacrônico e superado, antieconômico e difícil de fabricar.
Mamãe sabe que o fim da Supermãe vai aumentar a demanda pela linha Vovó, que disputa o mesmo segmento. Paciência. Você não pode atender todos os públicos o tempo todo.
No lugar da Supermãe, Mamãe vai lançar (queriam que eu dissesse 'vai estar lançando', mas eu me recuso) novas linhas de produtos mais adequados à realidade de mercado.
Vocês vão poder consumir Mamãe nas versões Active (executiva e profissional) , Light (com baixos teores de pegação de pé), Classic (rígida e orientadora) , Italian (superprotetora) e Do-It-Yourself (virem-se, fui passear no shopping). Mas uma de cada vez, sem misturar.
Ah, sim, Mamãe detesta esses nomes em inglês, mas me disseram que, se
não for assim, não vende.
Mamãe gostaria de aproveitar a oportunidade para lançar seus novos canais de comunicação. De hoje em diante, em vez de sair gritando pela casa, vocês vão poder ligar para o SAC-Mamãe, um 0300 que dá direto no meu celular (apenas 27 centavos por minuto, mais impostos).
Mamãe também aceita sugestões e críticas no endereço mamae@mamae.net.

Mais uma vez Mamãe agradece a presença e a atenção de todos.


(Autora Desconhecida)

Enviado por Ana de Fátima, minha super-amiga. A autora é desconhecida mas, com certeza, é uma Examelia !!!


                                    

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HIV: Percepção de Risco em Idosos

quarta-feira, 27 de agosto de 2008


São vários os fatores que interferem na percepção sobre o risco de infecção pelo HIV nas pessoas que têm mais de 50 anos, decorrentes de pouca ou nenhuma informação oferecida
aos idosos, preconceitos e despreparo dos profissionais que lidam com a saúde.
A contaminação pelo vírus causador da imunodeficiência adquirida ocorre quando há troca e/ou contato com sangue ou secreções orgânicas onde existam o HIV. Pode ocorrer pelas vias sexual, sanguínea, parenteral ou ocupacional. A suspeita da infecção é confirmada pela detecção de anticorpos no sangue examinado e, as campanhas de prevenção devem ter como alvo todas as faixas etárias.
Segundo dados do Ministério da Saúde, as pessoas mais velhas relutam em fazer o teste anti-HIV. Além do fato de que se considerarem um grupo de menor risco, homens e mulheres com mais de 50 anos recebem pouca ou nenhuma informação por parte dos profissionais da área de saúde sobre
sexualidade, prática de sexo seguro e uso de preservativo. As orientações devem ser claras e compatíveis com o nível de compreensão de cada pessoa, já que, em todo o planeta, ocorre uma pauperização da doença onde a contaminação se dá com maior frequência em pessoas de baixa renda e pouca escolaridade.
Segundo dados do IBGE, no Brasil a população com mais de 50 anos vem crescendo e, avanços como medicamentos para a estimulação sexual, reposição hormonal e próteses penianas levam a um prolongamento e intensificação da vida sexual na terceira idade. É importante, portanto, que essas pessoas recebam informações sobre prevenção das DST, é necessário que se solicite o teste anti-HIV, é imprescindível que se converse com eles sobre sua vida sexual.
O atraso em oferecer estas orientações pode adiar a descoberta do HIV e facilitar o avanço da epidemia da AIDS. Nos idosos, sintomas como cansaço, perda de peso e da memória podem acontecer em outras doenças próprias da idade, mascarando assim o diagnóstico.
Com relação ao parceiro sexual, deve-se incentivar o uso de preservativo nas relações em que houver penetração vaginal e/ou anal, independente da opção sexual, estado civil ou condição sorológica. Importante saber que o uso de preservativo, mesmo quando ambos são soropositivos, previne a infecção por outras DST, ajuda no controle da carga viral e diminui o risco de contaminação por vírus resistente aos antiretrovirais.

Nossos velhinhos podem até pensar que "nasceram há 10.000 anos atrás" mas ainda tem coisas neste mundo que "eles não sabem demais"
.

Bibliografia
Jornal Brasileiro de DST - vol. 19
Ministério da Saúde do Brasil - Programa Nacional de DST e AIDS
Bruna Bertocini, Karla Moraes, Irene Kulkamp
. Comportamento Sexual em Adultos Maiores de 50 Anos Infectados pelo HIV

Solange Portela, ginecologista

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TPM

quinta-feira, 14 de agosto de 2008


Tocou, Perguntou...Morreu, Tô Pirada Mesmo, Tendência a Pontapés e Murros ...
Essas são apenas algumas das definições "bem humoradas" para a sequência das três letrinhas.
Brincadeiras a parte, a Tensão Pré-Menstrual é uma síndrome, ou seja, conjunto de sinais e sintomas que provocam alterações físicas e desestabilizam o equilíbrio emocional da mulher durante a fase lútea do ciclo menstrual.
Explicando melhor, o ciclo menstrual é constituído basicamente por 4 fases: folicular, ovulatória, lútea e menstrual, mediadas e definidas pela interação entre os hormônios da glândula hipófise e os hormônios sexuais dos ovários. Na fase lútea ou pré-menstrual, por ação da progesterona, há uma tendência a modificações do humor e algumas mudanças no corpo da mulher.
As alterações do humor podem variar desde uma leve depressão, falta de apetite, desânimo, até irritação e insônia.
Quanto as mudanças físicas, as mais frequentes são retenção de líquidos, dores de cabeça, constipação intestinal e acne.
Estima-se que em torno de 70% das mulheres em idade reprodutiva apresentam alguns destes sintomas na fase pré menstrual. Por definição, o diagnóstico de Tensão Pré Menstrual ou Síndrome Disfórica Pré Menstrual é dado quando a mulher apresenta pelo menos 5 destes sintomas na maioria dos ciclos, durante o período de 1 ano. Porém, é imprescindível afastar uma possível disfunção da tireóide que tem sinais e sintomas parecidos e merece tratamento adequado.
O tratamento da TPM varia com a avaliação de cada caso, levando-se em conta não somente exames laboratoriais e por imagem como também a historia de cada mulher. Sabe-se que os sintomas são mais acentuados naquelas mulheres com tendência depressiva ou que não lidam bem com as frustações. Por isso, muitas vezes uma simples, mas, esclaredora, orientação no sentido de mudanças de hábitos de vida como incentivo a atividades físicas, dieta rica em vitaminas, cálcio, magnésio, ferro, proteínas e com baixo teor de gorduras e dimunuição do nível de estresse através de momentos reservados ao lazer e ao repouso são suficientes. Atitudes como essas colaboram com a manutenção dos níveis de serotonina no Sistema Nervoso Central, neurotransmissor que regula o humor e a estabilidade emocional.
Nos casos mais graves pode-se lançar mão de tratamento medicamentoso. Os anticoncepcionais de baixa dosagem são uma boa opção, na maioria das vezes bem aceitos se indicados de acordo com o perfil de cada mulher. Antidepressivos inibidores da recaptação da serotonina, como fluoxetina e paroxetina, podem ser usados com segurança nos dias que antecedem a menstruação.
Detalhe importante no que se refere ao diagnóstico e adesão ao tratamento é o esclarecimento e explicação oferecidos a mulher sobre o funcionamento do seu ciclo para que ela própria aprenda a reconhecer os sintomas com brevidade e encontre a sua forma de lidar com isso. Ela vai descobrir que a Temporada de Problemas Misturados muitas vezes apenas requer um Tempo Para Meditação e que nem Toda Paixão Morre...

Solange Portela, ginecologista

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Pequim

sábado, 9 de agosto de 2008


São mais de 5 mil anos de Historia que geraram riquezas e pobreza extremas, são mais de 50 etnias falando línguas diferentes, praticando religiões diferentes, vivendo de formas diferentes. Contraditórios ? Sim. Surpreendentes ? Também.
Afastados dos fatos e notícias sobre o resto do mundo, antes por ordem dos imperadores, agora por imposição do regime politico, acostumados com as severas regras impostas pela cultura de milênios, o povo chinês parece agora querer buscar a satisfação dos seus mais profundos desejos. Foi o que transpareceu na belíssima festa de abertura dos Jogos Olímpicos. Além do show de luzes, cores e efeitos especiais tão bem preparados para encantar o planeta, além do resgate das contribuições que a China deu ao desenvolvimento do mundo, a alegria e o orgulho estampados nos rostos dos chineses na platéia foram um espetáculo a parte.
Não bastasse tudo isso, a primeira medalha de ouro destes jogos vai para a China, através de Xiexia Chen, uma menina que quebrou o recorde de Atenas 2004, em levantamento de peso.
Parabéns ao povo chinês !!! Que os Jogos Olímpicos de Pequim sejam apenas o início das muitas conquistas que vocês desejam.

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Menopausa

sábado, 26 de julho de 2008



Que tal se, ao invés de associá-la a depressão, tristeza e ausência de libido, você vivesse essa fase da vida com bom humor, disposição e naturalidade ?
Que tal aproveitar a maturidade e viver o amor com equilíbrio e harmonia, mantendo sua feminilidade, beleza e alegria ?
Sim, é apenas mais uma fase da vida e, como as demais, também tem seus encantos. Use a imaginação, você tem liberdade para sonhar, você conhece as sutilezas do seu coração e, para entender melhor as mudanças pelas quais está passando, converse com seu médico.
Ele vai lhe explicar que a menopausa é simplesmente a passagem do período reprodutivo para o não reprodutivo e que isso acontece por conta dos ovários que vão perdendo a capacidade de produzir o estrogênio, hormônio que regula diversas funções do corpo da mulher. A falta dele faz a menstruação ficar irregular e podem surgir as ondas de calor e a insônia. Não há uma idade exata para que isso aconteça, na maioria das vezes em torno dos 48 anos, e, muitas mulheres passam por esse período sem maiores desconfortos. Um pouco mais adiante podem surgir uma queda da sexualidade, a diminuição da lubrificação vaginal e o desânimo.
O importante nisso tudo é você saber que é possível manter uma boa qualidade de vida não só para este momento como para os anos seguintes. Tanto estes sintomas como os riscos para osteoporose e doenças cardio-vasculares podem ser controlados através da reposição hormonal que nada mais é do que a administração de estrogênios que não estão mais sendo produzidos pelos ovários.
Antes disso, faça os exames que seu médico solicitar: mamografia, exame preventivo contra câncer de colo, ultrassonografia transvaginal e mamária e exames de sangue. Dessa forma ele lhe dirá se você está apta a iniciar a reposição hormonal.
Não esqueça também de manter hábitos saudáveis como praticar exercícios físicos regularmente, ter uma alimentação equilibrada, rica em frutas e verduras, e ter muitos, mas muitos mesmo momentos de lazer, afinal você merece, você não chegou até aqui por acaso !!!

Solange Portela, ginecologista

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A Mulher Mais Feliz do Mundo...

domingo, 20 de julho de 2008


...foi esse o titulo que Dercy Gonçalves deu a si própria.
Irreverente, muitos dizem. Corajosa nas lutas, autêntica nas idéias , inovadora nos pensamentos, expontânea nas atitudes, assim eu a defino.
Discute-se sobre sua idade, 101, 102 ou 103 anos? Que diferença faz para essa mulher que foi testemunha dos eventos e fatos históricos ocorridos durante todo um século, sendo ela própria muitas vezes protagonista de tantas mudanças, que o digam seus colegas de profissão, sua filha e netos? Que importância sua idade tem, já que ela se manteve sempre jovem nas suas atitudes e pensamentos?
As Examelias reverenciam sua memória e se orgulham da história da vida dessa brasileira, que, aos 17 anos teve que fugir de casa e trocar de nome para seguir a profissão escolhida. Ser artista naquela época envergonhava as famílias, ela disse.
O teatro brasileiro agradece, as mulheres brasileiras agradecem, o povo brasileiro agradece...
Para a "Mulher Mais Feliz do Mundo" nossos eternos aplausos.

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domingo, 13 de julho de 2008

De Borges para Gilmar Mendes
Ou
Édipo e a Ética

Num conto de Ficções, Jorge Luís Borges nos conta a tragédia de um líder de uma conspiração política que foi traída. Ele toma a frente então das investigações sobre quem teria cometido a traição – quem quer que fosse deveria ser morto num teatro, num complô. Eis que este personagem descobre ser ele mesmo o traidor de si. Que faz ele? Cumpre o prometido, e se entrega em holocausto para ser baleado pelas costas, na Ópera.
Este conto foi posteriormente adaptado para o cinema por Bernardo Bertolucci, no filme A Estratégia Da Aranha – verdadeira obra-prima esquecida. No filme, o personagem chama-se Athos Magnani – numa evidente referência a Os Três Mosqueteiros, de Dumas –, e a trama se desenvolve com seu filho voltando a cidade natal do pai e tentando descobrir as circunstâncias de sua morte: suicídio? crime político? A inspiração do texto borgeano é obviamente o Édipo Rei, de Sófocles: o rei herói que destruiu a Esfinge é então juiz do crime de assassinato do antigo rei; descobre que o assassino é ele próprio, o juiz, e pune-se a si mesmo com igual rigor.
Borges, nesta época, confessara a Bertolucci que a inspiração havia sido também romance de Alexandre Dumas Pai, das poucas narrativas longas (ao lado de Moby Dick, de Herman Melville), que Borges admirava. Via em Athos o fiel da balança do quadrilátero que desmontou a corrupção contra o Rei de França, apesar do Rei de França. Athos, o mais velho, menos habilidoso na espada que os outros três, mas de um rigor moral que o impedia de ser seduzido por Milady de Winter (novamente). Athos, o único dos quatro que estava envolvido até o pescoço na trama que tentava derrotar – e tentava por isso mesmo e não é sem culpa que faz questão de ser ele, e não outro, a matar De Winter.
Preocupa-me como cidadão o recente golpe de estado desferido contra a Constituição, por um tribunal que tem por dever precípuo zelar pela mesma Constituição. Mas preocupa-me também como jovem psicanalista – como alguém para quem a civilização será sempre um problema biológico da espécie, cujas manifestações princeps são individuais, embora as coletivas interessem tanto quanto.
Recuso-me a interpretar o fato pelas vias individuais (seria de um mentalismo rasteiro), ou meramente institucionais. O episódio fala de nós, brasileiros, como modelo civilizatório.
Tenho para mim que o que mais admirava a Freud na peça de Sófocles não era o incesto, ou o parricídio, mas a capacidade heróica de o personagem reconhecer que cometeu esses dois crimes hediondos, punir-se, retificar-se, sem por isso perder a razão ou a vida – ao ponto de tornar-se profeta cego, como Tirésias. Isto é: a ética, o modo como a tragédia grega reencena em todas as peças (e não apenas em Antígona, como pode parecer numa visada rápida) as condições íntimas da civilização. Isto é: que o sujeito, ele próprio, seja capaz de se punir, de se reconhecer responsável pelos crimes que comete. Que se o juiz vem a ser criminoso, que se puna como tal sem intermédio de terceiros.
Outro motivo não vejo para Freud ter escolhido Rei Édipo, e não o Príncipe Hamlet (onde o complexo de édipo é muito mais evidente, e mais neurótico), para fundar a Psicanálise: Hamlet é incapaz de reconhecer-se como autor, ao menos no nível do desejo, da morte do pai – a culpa é sempre dos outros. E nisso, faz uma série de atuações patéticas, para tentar pousar de um bastião da moral que, evidentemente, não é. Édipo, tendo cometido ele próprio um crime, sem o saber, não culpa sequer aos deuses: vai se haver consigo mesmo, de modo a crescer com isso.
Não a toa, num texto de 1907 chamado “Tipos psicopáticos no palco”, Freud trata de como a psicopatia no palco serve para nos manter, na vida real, fora dela. Mas Gilmar Mendes faz da vida um palco, e nela psicopatiza. No mesmo ensaio, Freud diferencia o herói trágico do psicopático. Os de Shakespeare, incapazes de se retificar e mortos por seus próprios desejos algo sádicos, são psicopáticos; os de Sófocles, retos, fazem de seu possível crime um trampolim pra condição de heróis ou profetas, porque “cortam na própria carne”, diria o Presidente da República (que, ao arrepio dos moradores de Higienópolis, parece entender mais de tragédia grega – e de ética, portanto – do que o suposto-psicanalista dos moradores de tal bairro, Jorge Forbes).
O atual (e espero que por pouquíssimo tempo) Presidente do Supremo, quando prestes a ficar público sua relação criminosa, age como Hamlet: a culpa é do Juiz De Sanctis, do delegado Protógenes, de quem quer que seja – menos dele. E ao agir assim sua culpa fica ao mesmo tempo maior, mais visível, e menos expiada. O que poderia ser um momento de a Justiça cegar seus próprios olhos para ver melhor, prefere tentar cegar aos outros – “cegar de tanto ver”, para citar alguém tão reconvexo quanto eu, para que ninguém enxergue cousa alguma. Por graça do mecanismo de recalque e das ambivalências próprias a ordem do significante, o tiro sairá pela culatra.
A Justiça brasileira deveria ser, eticamente, a Casa da Lei. Mas ela parece ser psicótica, foracluindo dela a lei. Ou perversa: usando a lei ao seu bel-gozo, para mais-gozar. Quando sai disso, fica evidentemente neurótica, com o recente acting-out, entre outras pululantes formações do inconsciente, de Sua Excelência (por pouco tempo, espero) Gilmar Mendes.
Falta nestas plagas “ao menos um que diga sim a castração”. Algo como um certo rei, enterrado em Atenas no sec VII a.C., um dia fez...


Lucas Portela, psicólogo graduado pela UFBa, pós-graduado em Saúde Mental pela Faculdade de Medicina da UFBa e escritor

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Os Contraceptivos

domingo, 6 de julho de 2008



Tudo começou em 1951, na Cidade do México, quando Luís Miramontes, um jovem estudioso da Química, sintetizou pela primeira vez a "noretindrona" ou 17 a-etinyl-19-nortestosterona que viria a ser a pílula anticoncepcional, aprovada pelo FDA (Food and Drog Administration) em 11 de maio de 1960, em Washington, EUA.
Tal acontecimento trouxe para a mulher mudanças significativas, elevando sua alto-estima, dando a ela o direito de tratar a reprodução como uma opção e não uma "obrigação" biológica.
Talvez a descoberta de maior impacto social no século XX, a pílula anticoncepcional foi vista por muitos naquela época como a causadora da Revolução Sexual.
De lá para cá vários outros estudos foram feitos e hoje dispomos de uma gama imensa de métodos contraceptivos, sejam eles químicos ou não, adaptáveis ao perfil de cada mulher.
Apesar de tanta evolução, as informações sobre esses métodos parecem não atingir as pessoas de forma efetiva. Ainda existe uma grande confusão quanto ao mecanismo de ação de cada método contraceptivo, chegando mesmo, como no caso do DIU (Dispositivo intra-uterino), a ser confundido e interpretado como método abortivo.
Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, contracepção = anticoncepção, método ou conjunto de métodos para evitar a fecundação, ou seja, se não há fecundação não há gestação logo, não há interrupção da gestação ou aborto. O DIU atua impedindo a fecundação, seja pelo efeito espermicida do cobre, seja pela sua presença física no útero obstruindo a passagem de espermatozóides para as Trompas de Falópio, seja por alterar as características do muco cervical diminuindo a motilidade dos espermatozóides.
Ainda com relação ao DIU, hoje se faz preferência pelo T de cobre com duração de 10 anos ou pelo modelo mais novo envolvido por microdosagem de progesterona, evitando assim o desconforto da irregularidade menstrual.
Outro idéia arraigada ao pensamento de muitas mulheres é a de que os contraceptivos orais provocam aumento de peso. O que há na verdade é a possibilidade de retenção hídrica em algumas mulheres, situação esta que diminui sensivelmente quando se faz opção pelos contraceptivos de baixa dosagem ou os que tem a drosperinona na sua composição, derivado da progesterona com discreto efeito diurético. A pratica regular de exercícios físicos também previne uma possível retenção hídrica.
São muitas as formas de apresentação dos contraceptivos, variando desde os orais, os adesivos, os anéis vaginais, os implantes, até os injetáveis.
A laqueadura tubária, por ser um método irreversível, deve ficar restrito aquelas mulheres que estão seguras quanto a decisão de fazê-la, levando em conta a sua idade e o número de filhos ou por indicação médica.
Os métodos de barreira como o diafragma estão hoje em desuso pelo seu alto índice de falha, ainda que acompanhado por geléia espermicida.
Diante de tantas opções, cabe ao médico analisar o perfil de cada paciente e ajudá-la a decidir sobre qual deles é o mais adequado e quais os cuidados que cada um requer, sem deixar de afirmar que o preservativo continua sendo o único método contraceptivo capaz de proteger contra as doenças sexualmente transmissíveis.
E, o principal, o melhor método é aquele com o qual a mulher se sente segura e confortável ao usá-lo, caso contrário em pouco tempo ele, o método contraceptivo, será abandonado e ela correrá o risco de uma gravidez indesejada.

Bibliografia
Houaiss Dicionário da Língua Portuguesa 2001 1a edição
A Pílula Anticoncepcional 40 anos de Impacto Social - Schering Ag. Alemanha 1a edição 2000
Ministério da Saúde

Solange Portela, ginecologista

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D. Ruth

quarta-feira, 25 de junho de 2008




Elegância, sensibilidade, equilíbrio, sensatez, simplicidade, dignidade...
Mulher forte, dona de pensamentos inovadores que mudaram a cara dos projetos sociais no Brasil como fundadora e presidente da Comunidade Solidaria , atuando em projetos sobre democracia e responsabilidade social...
Criadora do Bolsa Escola e Bolsa Alimentação, embriões do Bolsa Família do atual governo brasileiro...
Doutora em Antropologia pela Universidade de São Paulo, professora, escritora, envolvida com questões sociais sobre direitos da mulher, imigração, juventude, violência e cidadania...
Quantas belas palavras definem esta mulher, quantas lições ela nos deixa, quantas sementes floresceram e florescerão baseadas em seus estudos e ensinamentos.
D. Ruth, nossa eterna Primeira Dama, este titulo só pode ser seu a despeito da sua atitude sempre discreta, pelo legado que a senhora nos deixa, exemplo a ser seguido pelo povo brasileiro, motivo de orgulho para todas as mulheres.

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Anticoncepcional de emergência

quinta-feira, 19 de junho de 2008


Como o próprio nome já diz, ele deve ser usado em situações de emergência. Melhor explicando, situações inesperadas ou acidentais, nas quais as mulheres ficam expostas a uma gravidez indesejada. Basicamente, são duas as principais:
-falha do método contraceptivo em uso, como nos casos em que o preservativo se rompe, quando há expulsão do DIU ou quando há esquecimento no uso dos contraceptivos orais ou injetáveis
-violência sexual
Porém, o que se pode notar é o uso cada vez mais frequente e indiscriminado dos anticoncepcionais de emergência (ACE). Há algum tempo atrás este comportamento era nitidamente mais comum entre as adolescentes, na maioria das vezes inexperientes e desinformadas sobre as questões que envolvem a saúde sexual. Hoje, mulheres adultas, que já pariram, que tem acesso a todo tipo de informação têm, inadvertidamente, feito uso dos ACE como opção de método contraceptivo de rotina.
Que ele é um método que apresenta vantagens quando usados nas indicações corretas não há dúvidas, até porque não se trata de um método abortivo como algumas pessoas pensam. Os ACE agem impedindo a fecundação, seja retardando a data da ovulação, seja modificando a consistência do muco cervical, tornando-o hostil à migração dos espermatozóides no trato genital feminino.
Porém não se pode deixar de observar alguns detalhes que se agravam quando o uso se torna abusivo. Além de efeitos colaterais como náuseas, vômitos, dor mamária, não se pode esquecer que o uso inadvertido dos ACE pode fazer aumentar a exposição e incidência das DST-AIDS, uma vez que pode haver o abandono do uso de preservativos. Importante também saber que o uso repetitivo dos ACE faz com que sua eficácia fique comprometida. O índice de falha (Índice de Pearl) que calcula o número de gestações/100 mulheres que utilizam um determinado método contraceptivo por 1 ano, para os ACE é de 2%, porém, com o uso abusivo a falha será maior. Fatores determinantes para garantir a eficácia dos ACE são o prazo decorrido entre a relação desprotegida e a administração do medicamento que não deve ser maior que 5 dias e a fase do ciclo menstrual em que a mulher se encontra no momento. O índice de eficácia é de 75%, o que quer dizer que de cada 4 possibilidades de gravidez indesejada 3 serão evitadas.
Sem dúvida, fica claro que é muito mais seguro o uso regular de um método contraceptivo de rotina e, que o preservativo é o único método que agrega as duas funções, contracepção e prevenção das DST-AIDS. Existem hoje várias formas de apresentação dos contraceptivos, todos com baixas dosagens hormonais, sejam eles as pílulas convencionais, os injetáveis, os adesivos, os anéis vaginais e até mesmo dispositivos intra-uterinos associados a baixa dose de progesterona. Cabe a cada uma de nós, sob orientação médica, decidirmos qual deles é o mais adequado ao nosso perfil e usá-los com segurança. E, sem esquecer que a associação de qualquer um deles com o preservativo traz o benefício da proteção contra as DST, incluindo o HIV.

Solange Portela, ginecologista

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Adolescentes x HIV

domingo, 8 de junho de 2008



-Como é que eu vou contar a minha mãe ?
Foi essa a primeira pergunta que eu ouvi dela, uma menina de 16 anos, após ter sido informada sobre os resultados dos exames, o que eles significavam, o que era preciso fazer daqui em diante pela sua saúde
Ela acabara de saber que é portadora do vírus HIV. No seu rosto o retrato do medo, nos seus olhos duas lágrimas carregadas de profunda dor...era evidente a quantidade de dúvidas que rondavam pela sua cabeça naquela hora mas, essa foi a primeira pergunta.
Ele tinha sido seu primeiro namorado, apenas 4 anos mais velho que ela. Ela havia pedido para que ele usasse preservativo, ele havia se negado. Ela jurara para a mãe que ele usaria.
Ela veio ao ambulatório de DST porque apareceram verrugas. Ele foi convidado a comparecer mas não o fez, aliás, ele "desapareceu da vida dela" antes mesmo dela saber o resultado das sorologias.
Ela terá acompanhamento médico e psicológico, aprenderá a diferença entre ser portadora do vírus e ter AIDS, aprenderá a se proteger, e, por causa da sua primeira pergunta penso que terá a compreensão e ajuda da mãe.
Ele, sem saber do seu estado sorológico, vai estar por aí tendo relações desprotegidas, pondo em risco a própria saúde e a das pessoas com quem mantiver relações sexuais. Sua família, muito provalvelmente, só tomará conhecimento dos fatos quando houver pouco ou quase nada a ser feito.

Apenas com estes poucos detalhes desta história podemos perceber quantas implicações existem nas questões que envolvem a sexualidade dos adolescentes. Sabemos que eles têm o "pensamento mágico" em que todo o mal vai acontecer com os outros, mas, nunca com eles.
Por isso, é preciso que se quebrem os tabus sobre o uso de preservativos, é preciso entender o que quer dizer "sexo seguro", é preciso saber o que é "comportamento de risco", é preciso conversar com eles sobre as drogas...é preciso estar mais perto deles, afinal...ainda somos os mesmos e vivemos como nossos país ?!?!


Solange Portela, ginecologista

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